|
A Figueira da Glete (Ficus
Macrophylla) é uma árvore centenária que faz parte do patrimônio ambiental do Estado de São
Paulo. Foi incluída no livro de tombo do patrimônio ambiental de São
Paulo pelo decreto nº 30.443
de 20 setembro de 1989 assinado pelo então Governador
Orestes Quércia, que além do seu tombamento a elege ao lado de outras
árvores da cidade de São Paulo como imune ao corte. No Governo Luis
Antônio Fleury Filho, o decreto de tombamento da Figueira foi retificado
pelo decreto nº
39.743 de 23 de dezembro de 1994, publicado no Diário Oficial do
Estado, volume 104, número 239, edição de 24/12/1994 que conferiu
poderes ao Governo Municipal para decidir, em casos considerados
excepcionais (necessários), sobre o corte de árvores do
Patrimônio Ambiental de São Paulo.
A Figueira da Glete está localizada nos
fundos do terreno situado na Alameda Glete, nº
463 - Campos Elíseos, onde se erguia o antigo
Palacete Jorge Street, que abrigou as "raízes" dos atuais
institutos de Biociências, Química, Geociências e de Psicologia da
Universidade de São Paulo no período de 1938 a 1969. O velho palacete,
de tão ricas e gratas recordações, foi, inexplicavelmente,
demolido no primeiro lustro da década de 70.
|
|
 |
São Paulo, 24 de março de 2002 - Vista panorâmica da centenária e lendária Figueira da Glete, testemunha viva de toda a intensa e rica vida
acadêmica que vicejou e vibrou no Palacete Jorge Street
entre os anos
de 1938 e 1969.
Agora, um pouco da História da USP.
A Universidade de São Paulo foi criada pelo governador Armando de
Salles Oliveira através do Decreto Estadual nº 6.283, de 25 de
janeiro de 1934. Este decreto, entre outras importantes decisões do
Governo de São Paulo, criou também a Faculdade de Ciências e Letras
(FFCL, hoje extinta), cuja subsecção de Ciências Naturais incluia na sua
estrutura as cadeiras de Mineralogia e Geologia, mais tarde
transformadas respectivamente nos departamentos de Mineralogia e
Petrologia e de Geologia e Paleontologia, que em sua essência,
representam as raízes do antigo Curso de
Geologia da FFCLUSP, mais tarde transformado pela reforma universitária de 1969 no
Instituto de Geociências e Astronomia da USP. Em 1971, decorrente de
decisões tomadas pelo Conselho Universitário se transformou no Instituto
de Geociências da USP (IGc). No bojo destas transformações, foram
transferidas para a Escola Politécnica as disciplinas de Prospecção
Mineral e de Geologia Aplicada à Engenharia que faziam parte do
curriculo dos geólogos formados pelo Curso de Geologia da Glete.
Assim, desde 1937, ano em que o Palacete Jorge Street e sua
centenária Figueira se transformaram em propriedade da USP
o endereço Alameda Glete, 463 passou a representar um marco importante
da infância da USP que,
infelizmente, não foi tombado.
Inserida no contexto histórico da Universidade de São Paulo, expressão
maior da cultura paulista, a centenária Figueira da Glete é uma árvore
estimada e admirada por muitos dos importantes homens de ciência que por
ali passaram, que apesar do tempo, ainda se lembram dela com muito
carinho e respeito, com saudades da sua afável e sempre acolhedora
sombra.
A centenária Figueira da Glete, símbolo da afirmação das
Geociências de São Paulo, já possui hoje três filhas crescendo e
vicejando na Cidade Universitária nos jardins de três importantíssimos Institutos de
pesquisa e ensino, todos eles com suas raízes primeiras forjadas no
campus fértil e inspirador da Figueira da Glete:
|
|
 |
| |
| Vista aérea de parte do terreno onde se
elevava o antigo Palacete Jorge Street,
demolido no início da década de 70, onde hoje funciona um
estacionamento. A centenária Figueira da Glete continua lá, bela, imponente e
frondosa. Na foto acima, é a grande árvore que se destaca em segundo
plano, à esquerda
dos automóveis.
|
|
INFORMAÇÕES RECENTES SOBRE A FIGUEIRA DA GLETE
|
| Recentemente, o CONPRESP (Conselho
Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e
Ambiental da Cidade de São Paulo), através da Resolução nº
19/CONPRESP/2007, publicada no Diário Oficial do
Município de São Paulo, edição de 22 de dezembro de 2007, fls 12,
decidiu abrir um processo de tombamento
municipal da Figueira da Glete e de trechos ainda remanescentes do
muro de fecho da antiga residência da família Street,
edificação
ocupada posteriormente pela Universidade de São Paulo.
Os detalhes deste
processo de tombamento,
podem ser lidos
clicando-se aqui.
|
 |
Figueira da Glete e partes remanescentes do
muro do Palacete Jorge Street, objeto do processo de tombamento em
análise pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio
Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - CONPRESP. |
|
 |
|
|
Parte do harmonioso conjunto arquitetônico do
Palacete Jorge Street onde se inseria a Figueira da Glete em 1926. Notar nas fotos
atuais (acima e abaixo desta foto), restos do muro de fecho do
antigo palacete, inexplicavelmente demolido na década
de 70, onde ainda se observam as evidências de uma construção antiga, em forma de
arcada, provavelmente relacionada com o projeto de construção do
antigo Palacete.
Nesta bela e agradável área de lazer do antigo
palacete, percebe-se que a velha Figueira da Glete (uma espécie
vegetal de origem australiana) fazia parte da sua concepção arquitetônica
original.
A participação harmoniosa da Figueira da Glete na área de lazer
retratada nesta foto, aliada a sua idade centenária, nos permite inferir
que ela não está neste local por acaso, e por isso é, muito provavelmente, uma
árvore escolhida e importada diretamente da Austrália com a finalidade de atender
às especificações do arquiteto responsável pelo projeto de construção do
antigo Palacete Jorge Street.
|
|
 |
|
|
Atualmente, como já se destacou
logo acima, a Figueira da Glete e o seu entorno,
estão sendo avaliados pelo CONPRESP tendo em vista a criação de uma
área de jardim e de lazer para promover a proteção permanente das raízes da
Figueira da Glete, constantemente perturbadas e ameaçadas pelo peso,
pelo óleo, pela graxa e por outros detritos de veículos
ali estacionam.
Um dos sonhos do Grupo Figueira da Glete é que o terreno onde se erguia o
antigo Palacete Jorge Street, hoje
objeto de um processo de tombamento em andamento no CONPRESP, fosse adquirido pela Prefeitura de
São Paulo que ali poderia construir um espaço público mais cidadão e humano,
tal como uma Praça ou uma Biblioteca pública, atividades de amplo significado
social e cultural, bastante coerentes com os objetivos gerais de uma
política inteligente e sadia visando
resgatar e preservar a história e o passado de cultura da cidade de São Paulo.
Sem dúvida alguma, a construção de uma praça ou de uma biblioteca
pública no local representariam ações bastante
compatíveis e coerentes com a importância e o significado que o
tradicional bairro dos Campos Elíseos assume no contexto da história
política e social da cidade e do próprio Estado de São Paulo. |
|
 |
|
Cidade de São Paulo - 21 fevereiro de 2009 - Cruzamento da Alameda Glete
com a rua Guaianazes. À direita, vê-se uma guarita de vigilância e
parte dos
muros do Palácio dos Campos Elíseos, que em 1970, deixou de ser a
sede do Governo do Estado de
São Paulo.
|
|
 |
|
Vista da Figueira da Glete,
localizada nos fundos do terreno do
Palacete Jorge Street
onde hoje funciona um estacionamento. Esta é a parte do terreno que
se abre e se limita com a rua Guaianazes.
|
|
 |
| |
| Vista interna do estacionamento que funciona no
terreno do Palacete Jorge Street vendido pela USP em 06/05/1974,
logo em seguida, demolido pelos seus novos proprietários. |
| |
|
|
 |
|
Esquina entre a rua Guaianazes e a Alameda Glete |
|
|
Agora um pouco da história desse
espaço público |
|
|
|
Há 43 anos atrás, na foto abaixo, vemos retratados momentos de
alegria e esperança por dias melhores. Sem dúvida alguma, era um dos espaços
públicos úteis
da cidade de São Paulo ... |
| |
 |
| |
| Esquina da Alameda Glete com a Guaianazes nos
idos de 1966, ocupada e animada por veteranos da Turma de 1966 do
antigo curso de
Geologia, que assistiam de perto a acolhida (trote) dos calouros da Turma de 1968
promovida pela animada
Turma de 1967. |
| |
|
 |
| Bicho Mané Espanhol tentando angariar recursos para a
passeata da T68. |
| |
|
 |
|
| Alunos dos cursos de Química e de Geologia se divertindo com a
festa dos bichos da T68 |
| |
|
 |
|
| Futuros geólogos das turmas 66 e 67 na frente da
Escola de Geologia da Glete, no
dia do trote da T68 |
|
|
|
|
Agora, voltando a realidade de
fevereiro
de 2009 |
|
|
 |
|
Situação
atual da esquina da Rua Guaianazes com a Alameda Glete |
|
|
São Paulo, 21 de fevereiro de 2009 - Vista
atual da esquina entre a rua Guainazes e a Alameda Glete, onde se
localizava o prédio do antigo Palacete Jorge Street onde se
instalaram e funcionaram unidades básicas da administração inicial
da USP e da brilhante e sempre lembrada Faculdade de Filosofia
Ciências e Letras (FFCLUSP), hoje extinta. Neste marco da
infância da USP que não foi tombado, funcionaram no periodo 1938
a 1969 os cursos de História Natural (1938-1959), hoje
Instituto de Biociências da USP; Química (1939 a 1965),
hoje Instituto de Química da USP; Geologia (1957 a 1969),
hoje Instituto de Geociências da USP, e o Laboratório
Experimental do Curso de Psicologia (1961 a 1968), hoje
Instituto de Psicologia da USP. Todos estes importantes
institutos de ensino e pesquisa da USP estão localizados no campus
da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo. A centenária
Figueira da Glete, hoje um patrimônio histórico e ambiental da
cidade de São Paulo, com sua sombra protetora e carinhosa, que a
todos assistiu, não aparece nesta foto. Ela está situada na parte do
terreno do antigo Palacete Jorge Street que se limita com a rua Guaianazes,
que na foto acima aparece na porção esquerda da mesma. A posição exata da
Figueira da Glete em relação à rua Guaianazes é mostrada na
primeira foto desta página.
|
|
| |
 |
| |
| Vista interna do estacionamento que ocupa o
antigo terreno onde se iniciou a Geologia da USP. |
|
| |
 |
| |
| Rua Guaianazes - restos do muro do antigo Palacete Jorge
Street, onde se vê à esquerda, uma pequena parte da
entrada do estacionamento. Nesta parte do Palacete, demolido
no primeiro lustro da década de 70 do século XX, se erguiam as instalações do
restaurante que serviu aos universitários que estudaram na Glete no
período de 1938 a 1969. |
|
| |
 |
Vista parcial interna do estacionamento, visitado por
um dos membros do Grupo Figueira da Glete em 21 de fevereiro de
2009.
|
|