Grupo Figueira da Glete

  Cantinho dos gletianos da História Natural, da Química e da Psicologia Experimental

 11/09/2003

1º Centenário de Paulo Sawaya

             

(o médico, o doutor, o professor, o livre docente, o catedrático e sobretudo o “homem” Paulo Sawaya) 


O homem público, o profissional reconhecido internacionalmente, todo mundo conhece.

A mídia e o mundo cientifico já registrou sua biografia e diz que ele nasceu em 1903, formou-se em Medicina em 1928, e em 1934, quando a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras foi criada, foi convidado para ser assistente do prof, Ernst Breslau. Com a morte deste passou a assistente do prof. Ernst Marcus, no Departamento de Zoologia.

Foi Livre Docente e Catedrático de Fisiologia Geral e Animal, quando esta disciplina se desmembrou da Zoologia.

Em sua trajetória profissional estão estágios em vários países, docência na Alemanha e Estados Unidos, Suas obras publicadas são mais de 300.

Criou o Laboratório de Biologia Marinha de São Sebastião. Foi chefe do Departamento, diretor da extinta Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, do Instituto de Biociências, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro.

Participou da criação do Jardim Zoológico e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC. 

Agora, o “homem” Paulo Sawaya no depoimento de uma ex-aluna.

Era então 1950 e eu e minha turma estávamos já no terceiro ano do curso de História Natural, ultimo para quem pretendia só o Bacharelato, penúltimo para os que partiam para a Licenciatura.

Desde 1948 cruzávamos como o prof. Sawaya pelos corredores estreitos e escuros do primeiro andar do Palacete da Glete. Aí ficava o laboratório de Zoologia e Fisiologia Animal. Agora teríamos aulas com o prof. carismático, sempre sorridente e – que alívio – pela primeira vez com um catedrático sem o sotaque carregado dos profs. Marcus e Rawitscher.

E então o “sapo” entrou na nossa vida.

Durante o ano todo dissecamos sapos, espinhalamos sapos, separamos seus músculos gastrocnêmios para analisar suas reações. Montamos “traquitanas” engraçadas para as experiências, como um “quimógrafo” rudimentar com o papel esfumaçado por fumaça de um maçarico. Conseguido o gráfico fixávamos com extrato de Benjoim para posterior estudo.

E os desenhos, os relatórios, sempre orientados pelos assistentes Erasmo Garcia Mendes, Domingos Valente, Maria Dolores, a Lola.

E, a base teórica, e todo apoio para essa atividade toda, o prof. Sawaya. Nunca se comportou como “astro”. Mas se fazia respeitar mais pelo seu gesto amigo, paternal do que pela competência indiscutível.

Bons tempos em que numa despedida de curso (o terceiro ano completava as disciplinas básicas) o professor convidava os formandos para um lanche em sua casa. E lá fomos nós cinco (éramos só cinco na minha turma) recebidos na Al. Nothman por dona Sônia  e os nove filhos que ele já tinha. 

Esse foi o “homem” Paulo Sawaya, na lembrança de uma ex-aluna.

Não chegou aos 100 anos, mas sabia que alguém ia comemorá-los. E aqui estamos nós para lembrá-lo também como um Gletiano, porque se não estudou sob a nossa Figueira, certamente também passou muitas vezes sob sua bela copa.

Nós o “adotamos” prof. Paulo Sawaya como um Gletiano, que sob o símbolo e referencia da Figueira da Glete, sempre será lembrado por seus ex-alunos.

 

   Fotografia tirada nas dependências externas da Glete, que à época (década de 50), ainda abrigava
   o Curso de História Natural da F.F.C.L.U.S.P.

Neuza Guerreiro de Carvalho

São Paulo - 11/09/2003

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